___________________________________________________________________________________________________
Sociedade Orquestra e Banda Ramalho
__________________Reportagens e Textos_________________
Escolha um título
Músicos sacros de Minas ganham novos instrumentos
Tiradentes ganha centro cultural com a restauração do Sobrado Ramalho
Maestro Joaquim Ramalho e a Música em Tiradentes
Gente que é da gente: Joaquim Ramalho
Show das bandas na Praça da Liberdade
________________________________________________________________________________________
Músicos sacros de Minas ganham novos instrumentos
SÃO JOÃO DEL REY (O GLOBO) - Músicos das centenárias Orquestras Lyra São Joanense, desta cidade, e Ramalho, de Tiradentes, receberam no fim da semana instrumentos doados pela Fundação Roberto Marinho e Fundação Nacional da Arte (Funarte), dentro do projeto “Música Sacra no Campo das Vertentes”, que a quatro anos vem trabalhando para a preservação da música barroca e sacra na região;
Foram duas
flautas transversais, um par de pratos, clarinete, trompete, e dois saxofones,
entregues na solenidade de descerramento da placa comemorativa das obras de
recuperação e ampliação do casarão em que fica a sede da Lyra São Joanense, a
mais antiga orquestra de Minas, fundada em 1776. Muito emocionado, o maestro
Pedro de Souza, 82 anos, regente da Lyra desde 1939, agradeceu em nome dos
contemplados e lembrou a importância da iniciativa, que incentiva e protege o
músico, “já que o preço dos instrumentos é hoje um dos seus principais
problemas”.
A Orquestra Ribeiro Bastos e Lyra São Joanense, de São João Del Rei, Ramalho, de Tiradentes, e Lyra Siciliana, de Prados - todas cidades vizinhas - são integradas por pessoas de todas as camadas da população, que desde cedo se interessa por música. Adolescentes, adultos e velhos, das mais diversas atividades profissionais, se desdobram em ensaios à noite ou nos fins de semana para manter viva a tradição da música sacra e barroca da região do Campo das Vertentes.
E exatamente para colaborar na preservação desta tradição musical que a Fundação Roberto Marinho e a Funarte vêm atuando financeira e tecnicamente. Apoio ao aprendizado e aperfeiçoamento, reposição e manutenção de instrumentos, preservação de arquivos, restauração e ampliação de prédios dessas corporações, que até hoje executam o mesmo repertório sacro-barroco de quando começaram a mais de um século, são objetivos do Projeto Campos das Vertentes.
Segundo o maestro Ernani Aguiar, da Funarte: “É fundamental prestar apoio a orquestras comunitárias, como essas, que há mais de 200 anos vem fazendo música para o Brasil”. Para a Coordenadora de Projetos da Fundação Roberto Marinho, Renata Bernardes, apesar das doações de instrumentos, apoio a concertos, gravações e restaurações de prédios como o da Lyra São Joanense e da Lyra Siciliana, ainda há muito o que fazer.
Entretanto - observou - os projetos são caros e precisam contar com a colaboração da iniciativa empresarial, para que sejam levantados recursos suficientes de forma a dar toda facilidade mantendo esta que é a maior manifestação cultural deste povo, que traz a música na alma.
Fonte: SÃO JOÃO DEL REY (O GLOBO) - 31/03/1984
____________________________
Tiradentes ganha centro cultural com a restauração do Sobrado Ramalho
Iphan preservou características originais do casarão, construído no século XVIII
No próximo sábado, dia 30 de novembro, a cidade de Tiradentes em Minas Gerais, vai estar em festa. Às 18 h, a cidade, tombada pelo Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Sphan) pelo seu conjunto arquitetônico, ganhará um novo centro voltado para a cultura. O Sobrado do Ramalho, Primeiro a ser construído na região, será entregue aos moradores totalmente reformado e revitalizado.
Um dos pontos
altos da festa promete ser a apresentação da Banda Ramalho pelas ruas da cidade.
A banda tem sua sala de ensaios no casarão, que passará a ser sede de entidades
voltadas para a preservação do patrimônio cultural de Tiradentes.
Conhecido anteriormente como Solar, o casarão o escritório técnico e regional do Iphan, o Instituto Histórico e Geográfico de Tiradentes (IHGT) e a Sociedade de Amigos de Tiradentes (SAT), sendo que uma de suas salas funcionará como galeria de exposições.
Localizado na “área dos quatro cantos”, como é conhecido o cruzamento das ruas Direita, do Chafariz, da Câmara e do Jogo de Bola, o solar tem sua construção creditada à primeira metade do século XVIII, embora não exista documentação que comprove a data exata. Em 1887, o carão foi comprado pelo maestro José Luiz Ramalho, que passou a viver nele com a família. Após sua morte em 1900, o sobrado foi passado aos herdeiros e, em 1987, adquirido pelo Serviço de Patrimônio Histórico Nacional - Fundação Pró-Memória.
A restauração do Sobrado do Ramalho, que preserva suas características
originais, possibilitou a recuperação de antigas técnicas de construção, além da
formação de mão-de-obra especializada em restauração. O projeto incluiu a
recuperação das partes de madeira das paredes de pau-a-pique, a recuperação de
forro, a execução dos pisos em tijoleira, ladrilho hidráulico e pé-de-moleque,
além da consolidação das paredes de adobe e a reestruturação artística da
pintura mural e forro. Todas as obras foram realizadas pelo Iphan, com recursos
próprios.
Na solenidade de entrega do Sobrado do Ramalho à comunidade, estarão presentes o prefeito de Tiradentes, Nilzio Barbosa, o presidente do Iphan, Glauco Campello, e o secretário-geral da Fundação Roberto Marinho, Joaquim Falcão. Na ocasião será lançado um guia bibliográfico da cidade de Tiradentes.
Fonte: O Globo, 28/11/96
____________________________________________________________
Maestro Joaquim Ramalho e a Música em Tiradentes
Joaquim Ramalho nasceu a 8 de junho de 1879, na cidade de São José d’El Rey (hoje Tiradentes), filho de José Luiz Ramalho, falecido em 1900, e de Josefina Barbosa Ramalho, falecida em 1925. Em 1887, passa a residir no sobrado à Rua da Câmara, 124 (Quatro Cantos) com a família. Desde jovem, Joaquim Ramalho exercia a profissão de músico, ofício que aprendeu com o pai regente da orquestra. Após a morte do pai e do maestro Francisco de Paula Vilela, no início do século XX, Joaquim organizou seu próprio grupo de música, uma pequena orquestra sacra e uma banda que tocava em todas as festividades religiosas, cívicas e particulares da cidade. Ainda em 1896/97, encontramos o jovem Joaquim como procurador da Sociedade “Clube Euterpe Tiradentino”, capitaneada por João Batista Gomes, onde seu José Luiz era professor junto com Custódio Gomes e Antônio de Pádua Falcão.
Parece que o Clube Euterpe teve curta duração, pois em 1908 já não temos mais notícias da instituição. Em 1921, organiza-se a Sociedade Musical São José Del Rei, que parece também não ter ido para a frente, pois a campanha política de 1922 o maestro Joaquim Ramalho se desentende com Pádua Falcão. Com este incidente a Sociedade Musical se divide em duas, uma sob a batuta de cada um dos maestros. Joaquim Ramalho, agora com poucos músicos, coloca seus filhos para tocar, reorganizando o conjunto.
As festas
religiosas são divididas entre duas Orquestras. A festa de “Passos” é de
responsabilidade do Ramalho e a das “Dores”, do Falcão, por exemplo. Com o
passar dos anos, a orquestra passa a ser conhecida como a “do Ramalho” e depois
só Orquestra Ramalho.
Joaquim Ramalho era homem de muita respeitabilidade na sociedade local, onde promovia grandes festividades religiosas, como a Semana Santa, e fazia intervenção na política, embora nunca tivesse ocupado cargo público. Tinha especial encantamento pelos tempos antigos e guardava tudo o que considerava importante para história da cidade. Reuniu um razoável acervo de partituras de compositores regionais de fins do século XIX e início do século XX, que ainda se conserva no arquivo da Orquestra e Banda Ramalho, inclusive com originais de Pádua Falcão, Joaquim Francisco da Mata, Custódio Gomes, Vicente Veloso e outros. Infelizmente, o acervo musical de outros maestros como José Antônio Alvez e Pádua Falcão não ficaram na cidade.
Joaquim Ramalho foi coletor federal por muitos anos e exerceu atividade extrativa de Kaolim e areia que eram depositados nos tanques e barracos onde hoje é o Terminal Rodoviário. Foi proprietário de inúmeros imóveis no centro antigo de Tiradentes doou à paróquia de Santo Antônio o pastinho que ficava por trás da casa paroquial onde hoje é a Vila Vicentina e a creche. Transformou sua casa em local de ensaio da Orquestra, o que continuou após sua morte e sobrevive até hoje, após o sobrado ter sido arrematado pelo IPHAN, em 1986.
Nos anos trinta, o maestro Ramalho acolheu, em Tiradentes, em um dos seus imóveis o maestro francês Fernand Jonteux, que morou, primeiro, na casa onde hoje é o Centro Cultural e, depois, na antiga oficina de ourives Galdino Rocha, Anexa ao sobrado dos “Quatro Cantos”, onde morou João Ramalho. Ramalho interferiu para que, a ópera O Sertão, de Jonteux, fosse encenada em Belo Horizonte, em 1955, e para que o livro de Herculano Veloso Ligeiras Memórias Sobre a Vila de São José fosse reeditado.
Joaquim Ramalho, além de tocar vários instrumentos, tinha bela voz de baixo, evidenciados nos solos cantados nas missas solenes. Joaquim morreu em 1963, deixando em seu lugar o filho João Batista Ramalho e, posteriormente, Joaquim Ramalho Filho continuados desta tradição.
Para encerrar gostaria de registrar um fato curioso: existias nos “quatro cantos” uma grande pedra encostada à parede do sobrado do Joaquim Ramalho, onde a moçada da época se reunia para conversar à noite. O Pe. José Bernardino, muito prepotente, certa madrugada mandou uma junta de bois arrastar a pedra para longe, para que os rapazes não mais lá se reunissem. No dia seguinte, Joaquim Ramalho mandou colocar outras pedras, assentadas com cimento e desafiou o vigário a voltar para tirá-las. Lá estão, até hoje, as mesmas pedras já gastas de tanta gente que lá sentou.
Olinto Rodrigues dos Santos Filho,
Presidente em exercício do Instituto Histórico e Geográfico de Tiradentes
Ex-presidente da SAT / Fonte: Jornal Inconfidências, SAT
_____________________________________________
Gente que é da gente: Joaquim Ramalho
Desde
menino, seu Joaquinzinho, como é chamado, vivia cercado pela música e já mexia
nos instrumentos. Seu pai, cantor e regente, lhe destinou o contrabaixo. Como
era o caçula, entre tantos irmão músicos, teve de esperar alcançar a altura para
poder tocar o instrumento. Enquanto isso, estudou sax, trompete, trombone e
clarineta. Sempre ajudou na organização da orquestra e da banda, preparando o
repertório, dando aulas de violino, dedicando-se aos ensaios.
Fez os estatutos, registrou a Sociedade Orquestra e Banda Ramalho, da qual é o mais antigo músico, para não deixar morrer a tradição. Cuida da programação das festas religiosas da Igreja Matriz de Santo Antônio e é ministro da Eucaristia.
Dá graças a Deus pelo único vício que conserva até hoje: a música, como guaraná, evidentemente.
Desenho e Texto: Maria José Boaventura
___________________________________________________
Show das bandas na Praça da Liberdade
O
encontro de Bandas na Praça da Liberdade, reuniu 19 cidades e muitas gerações
amantes de música, que se preocupam em manter uma das tradições mineiras. Na
alameda central da praça cerca de 700 músicos se apresentaram. Na avaliação da
diretora da divisão de eventos do Sesc/MG, Vera Lúcia Costa, o encontro de
bandas do interior do Estado é uma oportunidade para que as pessoas que moram em
Belo Horizonte, mas vieram de outras cidades, reencontrem um pouco da história
que deixaram para trás.
...A menina Jéssica, 8 anos, toca bumbo na banda de Tiradentes, a mais antiga que se apresentou, ontem, no encontro, que acontece há 141 anos. Jéssica começou a aprender a tocar o instrumento de maneira autodidata e tem planos de investir na carreira de música. "Ia com minha irmã aos ensaios e ficava no meu canto, batendo as baquetas na cadeira no ritmo certo. Até que eu comecei a ensaiar com o meu instrumento preferido e não deixo de ir a um ensaio. Quando crescer quero aprender mais e ser uma violinista também", conta.
Trecho retirado do: Estado de Minas - Segunda-Feira, 29/10/01
_____________________________________________________
Única corporação musical de Tiradentes, a Sociedade Orquestra e Banda Ramalho foi fundada por Bernardo José Ramalho e seu filho Luiz, em meados do século XIX.
Há registro de participação dessa corporação na festa do Jubileu da Santíssima Trindade em 1860. Sob a direção de José Luiz Ramalho. Durante todo este tempo a corporação manteve-se como principal centro criador e produtor de música da região.
Os sucessores de José Luiz Ramalho foram, Joaquim Ramalho, João Batista Ramalho
e, na atualidade Joaquim Ramalho Filho respectivamente filho e netos do fundador
do grupo musical. Além deste núcleo familiar, o compositor Antônio de Pádua
Falcão destacou-se na batuta da Orquestra e Banda Ramalho no início do
século XX.
Recentemente, a corporação iniciou rigoroso processo de reativação da Banda de música ligada à Orquestra, investindo na formação de novos músicos e promovendo cursos de aperfeiçoamento para seus integrantes.
O arquivo musical da corporação ainda que pequeno, desperta interesse musicológico, pois conta com obras de diversos compositores mineiros do século XVIII e XIX, sobretudo aqueles que atuaram na antiga vila e na região do Rio das Mortes. O acervo possui inúmeras obras do compositor francês Fernand Jouteux (foto ao lado), discípulo do célebre Messenet, que veio para o Brasil em exílio voluntário por desavenças familiares.
José Maria Neves, 1982
Caros leitores caso vocês possuam alguma reportagem sobre a Orquestra e Banda Ramalho além das que aqui colocadas
mande-nos pelo e-mail: banda@orquestraebandaramalho.com.br
_________________________________________
Envie mensagem a banda@orquestraebandaramalho.com.br com perguntas ou comentários sobre a Sociedade ou sobre o site.
Última atualização: 28 de junho de 2009